Arquivo para março \19\-03:00 2013

Que importa a raça?

Elmo: faz diferença a raça de uma coisa fofa dessas?

Elmo: faz diferença a raça de uma coisa fofa dessas?

Visitei várias vezes a sala de espera do veterinário nos últimos tempos. Afinal, com a chegada do Elmo, dobrou o número de consultas para vacinas, vermífugos e etc. Além disso, Elmo foi castrado. Então, teve consulta preparatória, o dia da cirurgia propriamente, retornos para ver os pontos…

Assim, convivi várias manhãs com pessoas que têm seus animais de estimação e gostam muito deles. Confesso, inclusive, que acho o ambiente bem mais agradável do que o da sala de espera de qualquer outra especialidade médica, onde só encontramos humanos.

Apesar da boa convivência com os amantes da cachorrada e gataiada, uma pergunta recorrente e que me incomoda muito é: “Qual é a raça dele?” Como assim? Ele é um cão. Pronto. Quer mais? É lindo, meigo, carinhoso, do tamanho certo para o ambiente onde vive e, sim, tem muitas raças. Aliás, como você, como eu, como sua mãe. Porque as pessoas podem até não gostar e se acharem arianas puras, mas todos somos misturados. Em algum lugar do seu passado tem sangue de todo tipo de gente.

Otto, que quase é "de raça"

Otto, que quase é “de raça”

Já o Otto, engana muito bem os preocupados com a tal da raça pura. Claro que, por ser misturado, ele é aperfeiçoado. Diferente de um Dachshund com pedigree, ele tem as pernas mais compridas, o que faz com que ele não tenha tantos problemas de coluna como são tão comuns em cães do tipo teckel (nome genérico para os compridinhos). Em uma das consultas, eu estava com os dois e uma senhora com seu cão de raça ao lado me perguntou: “Esse aí (apontando para o Elmo) não é puro, né?”. Aparentemente, ela não estava com nojo ou medo dele. Até tinha achado bonitinho e simpático. Mas achou que ele era inferior ao irmão, o Otto, que estava do lado. Percebi que ela falou do Elmo, comparando com o outro, acreditando que o segundo fosse puro. Isso porque o Otto estava sentado, com as pernas encolhidas, e aí engana que é uma beleza. E eu não resisti: “Não, ele não é puro. O outro (apontei para o Otto) também não. E nem eu.”

Pensei em completar que nem ela. Mas achei que a informação poderia chocá-la demais.

Esses nazistas dos animais domésticos, quem aguenta?

Uma leitura surpreendente do começo ao fim

Capa 11o mandamento Minha experiência com a leitura é muito vasta. Adoro ler e, em geral, não tenho preconceitos. Todos os gêneros e temas me interessam. Também não me assustam os grandes volumes. Um livro de 600 páginas seria como ler 3 de 200 ou 6 de 100. E eu já demorei mais tempo para ler um livro com duas centenas de páginas muito chatas do que para devorar um com mais de meio milhar de páginas, que é o que vou contar agora.
Ganhei O 11º mandamento no final do ano. Presente da minha querida tia Lourdes pelos meus 40 anos. No momento que ganhei não pude começar a ler imediatamente, porque estava fazendo cursos e tinha leituras de trabalho que eram meio obrigatórias e tiveram prioridade. Ainda bem que fiz a escolha pela obrigação primeiro. Porque depois que peguei o livrão para ler, suas 626 páginas foram devoradas. Qualquer momento que eu tinha, dedicava a ele. Qualquer mesmo. Quero dizer que, andando no Shopping, nos momentos de subir e descer na escada rolante, abria o livro e devorava algumas linhas.
A história se passa quase toda na África, mais precisamente em Adis Abeba, capital da Etiópia. Há também uma parte nos Estados Unidos e algumas cenas e lembranças da Índia. O romance tem como pano de fundo a medicina e a luta pela libertação da Eritreia.
O livro conta a história de uma família durante mais de meio século. O narrador é o personagem principal, filho de uma freira indiana que vive em Adis Abeba. O pai? O médico cirurgião Thomas Stone, com quem a freira trabalha como enfermeira.
A capacidade de contar escondendo e de revelar os fatos na medida e no tempo certos fazem do autor Abraham Verghese um dos principais romancistas atuais. Na capa do livro, consta o selo: 1 milhão de livros vendidos nos Estados Unidos. Na orelha, o elogio: “Comparado aos maiores romancistas do século XIX e a contemporâneos do calibre de Salman Rushdie e Ha Jin, o médico e escritor Abraham Verghese nos brinda com este romance de estreia épico, em que o desenlace inesperado é apenas um dos muitos momentos dramáticos que polvilham a trama”. Tudo absolutamente confirmado ao longo da leitura.
No final, encontrar uma bibliografia substancialmente ampla para um romance, faz perceber o quanto o autor se dedicou para trazer os dados históricos da África e técnicos da medicina da forma mais acessível possível para o autor leigo.
Para quem gosta da África é imperdível. O estilo é muito próximo de O Anjo Branco, que também tem romance, medicina, história e África em uma obra de muitas páginas, que sempre é devorada por quem a toca. Para quem se interessa pela medicina, é uma lição. Para os leitores em geral, é cachaça pura. Para quem não gosta de ler, é um ótimo começo.

Matando a curiosidade, aqui o 11º mandamento: “Não operarás um paciente no dia de sua morte”.

Aí eu pergunto: quem aguenta ler um livro de 626 páginas? Se for bom como O 11º mandamento, basta saber ler.

Serviço:
Nome da obra: O 11º mandamento
Autor: Abraham Verghese
Editora no Brasil: Companhia das Letras
Valor médio da obra em papel: R$ 54,00
Valor médio da obra digital: R$ 38,00

P.S. (17/3/13): O amigo ‘nando Aidos complementa que em Portugal a mesma obra tem o nome Destinos Entrelaçados e pode ser encontrada em torno de € 23, na versão em papel.

No ar, o blog do Flosi

Afinal, o jornalista, advogado e professor Edson Flosi, que convive com o câncer há alguns anos e em 2012 foi demitido da faculdade Cásper Líbero após mais de uma década de serviços prestados, resolveu ter um blog. Já está no ar o blog do Prof. Edson Flosi.

blog do Flosi

Ele continua avesso ao computador e faz seus trabalhos em sua máquina IBM, como contaram as agora jornalistas Élide de Souza Lima, Ana Luíza Vastag, Anne Caroline Cavalcante e Joyce Broda em seu Trabalho de Conclusão de Curso, da Universidade Anhembi-Morumbi, que narra a trajetória do Flosi. Mas isso não o impediu de perceber a importância das novas mídias. Desde o ano passado, ele está no Facebook e no Twitter e agora lança o blog.

É a turma do ‘enta mostrando do que é capaz. Afinal, quem aguenta uma disposição dessas aos 73 anos?


placa Cabo da Boa Esperança

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