Que importa a raça?

Elmo: faz diferença a raça de uma coisa fofa dessas?

Elmo: faz diferença a raça de uma coisa fofa dessas?

Visitei várias vezes a sala de espera do veterinário nos últimos tempos. Afinal, com a chegada do Elmo, dobrou o número de consultas para vacinas, vermífugos e etc. Além disso, Elmo foi castrado. Então, teve consulta preparatória, o dia da cirurgia propriamente, retornos para ver os pontos…

Assim, convivi várias manhãs com pessoas que têm seus animais de estimação e gostam muito deles. Confesso, inclusive, que acho o ambiente bem mais agradável do que o da sala de espera de qualquer outra especialidade médica, onde só encontramos humanos.

Apesar da boa convivência com os amantes da cachorrada e gataiada, uma pergunta recorrente e que me incomoda muito é: “Qual é a raça dele?” Como assim? Ele é um cão. Pronto. Quer mais? É lindo, meigo, carinhoso, do tamanho certo para o ambiente onde vive e, sim, tem muitas raças. Aliás, como você, como eu, como sua mãe. Porque as pessoas podem até não gostar e se acharem arianas puras, mas todos somos misturados. Em algum lugar do seu passado tem sangue de todo tipo de gente.

Otto, que quase é "de raça"

Otto, que quase é “de raça”

Já o Otto, engana muito bem os preocupados com a tal da raça pura. Claro que, por ser misturado, ele é aperfeiçoado. Diferente de um Dachshund com pedigree, ele tem as pernas mais compridas, o que faz com que ele não tenha tantos problemas de coluna como são tão comuns em cães do tipo teckel (nome genérico para os compridinhos). Em uma das consultas, eu estava com os dois e uma senhora com seu cão de raça ao lado me perguntou: “Esse aí (apontando para o Elmo) não é puro, né?”. Aparentemente, ela não estava com nojo ou medo dele. Até tinha achado bonitinho e simpático. Mas achou que ele era inferior ao irmão, o Otto, que estava do lado. Percebi que ela falou do Elmo, comparando com o outro, acreditando que o segundo fosse puro. Isso porque o Otto estava sentado, com as pernas encolhidas, e aí engana que é uma beleza. E eu não resisti: “Não, ele não é puro. O outro (apontei para o Otto) também não. E nem eu.”

Pensei em completar que nem ela. Mas achei que a informação poderia chocá-la demais.

Esses nazistas dos animais domésticos, quem aguenta?

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6 Responses to “Que importa a raça?”


  1. 1 nando aidos 20 de março de 2013 às 10:57

    Ah, mas cão Vira Lata não dá bem para fofoca de sala de espera…
    Fofoca de sala de espera como por exemplo…
    Que raça é o seu? O meu é uma raça puríssima. O pai dele tem toda uma linhagem e a mãe (cadela na mesma) também tinha. Morreu, coitadinha, na cama king-size dos donos. Nós consultámos os documentos todos – carteira de identificação, carta de condução, título de eleitor, tudinho! A origem desta raça, sabe, é da Rússia! É mesmo? É sim. Olhe, a nobreza lá, no tempo dos “quiazares” criou esta raça especial. Nem pelo cai! Nossa! É!
    E ele só come ração, nós não gostamos de chamar ração. Isso é nome de comida de vira lata, né. A comida dele vem dos Estados Unidos todas as semanas. Tem uma loja lá na Barra que só vende comida para cão especial. Garantida que não tem carne de cavalo. Para mim, o dono faz preço especial. Mas mesmo assim é muito cara (estamos a entrar no tema financeiro, de que ela gosta) Com o seu você não precisa de se preocupar, né?
    Bom, eu…
    Vê como ele tem os olhos tristes? É que ontem ele teve outra crise da bacia. Queixava-se muito. Uns gemidos de doer a alma. Olhava para mim com esses olhinhos que você tá vendo… e eu, mãe desvelada de cachorro que sou (mas ela não disse isso), tive um dó dele. É por isso que estou aqui hoje. Ele sabe que vem ao veterinário para ficar melhor. Esse cão só falta falar e não vira lata (mas ela não disse isso).
    Nós pagamos (ah aqui é que a dona queria chegar…) uma fortuna por ele. O veterinário só dá as melhores vacinas para ele, que custam uma fortuna, mas ele (o cão) merece.
    Não imagina quanto dinheiro nós gastamos nesse cão (agora é que ela entrou no seu tema favorito, o dinheiro que ela tem e que gasta no cão para mostrar que tem). Faz um ano ele teve de ser operado. Meu marido (outro cúmplice, ela tem muitos, cúmplices, digo) não deixou que ele fosse operado no Brasil. Levámos ele (a gramática da dona é um pouco falhada… só a conta bancária é que não falha) a Miami e lá, olhe, nem imagina os preços que eles cobram! Nossa! Mas ele (o cão) merece.
    Finalmente, aleluia, foi a vez dela ser atendida (quero dizer, a vez do cão).
    Já não aguentava mais.
    p.s. Acho que há por aqui um pouco de sarcasmo, mas foi, garanto, intencional.

  2. 2 Patricia Pires 20 de março de 2013 às 10:15

    Pra mim, o melhor comentário foi o que voce escreveu sobre voce e eles. Otto e Elmo, que adotamos porque vida não se compra. Isso não tem preço. E como eles são especiais…

  3. 3 marcia 20 de março de 2013 às 0:02

    Quanto mais “pura” a raça, mais sujeitas a graves doenças genéticas essas lindas craturinhas ficam. E assim, muito sofrimento físico. Em busca da pureza total, criadores fazem cães da mesma “família” procriarem entre si, o que é, no mínimo, bizarro. As crias têm uma vida curta, limitada e pontuada por muita dor. Essa prática realmente reflete uma concepção nazista.

  4. 4 alcina bechara lapa 19 de março de 2013 às 23:02

    Houve falha no carregamento da pgina, poderia enviar de novo?

    Em 19 de maro de 2013 20:05, Quem aguenta?

  5. 6 Lucia Agapito 19 de março de 2013 às 21:47

    Já fiz um trabalho de faculdade sobre cães. Era um Sistema Especialista (dotar um software com as informações necessárias para que o sistema dê uma resposta que um humano poderia fazer) para detectar ração de cachorros. E lá eu coloquei o nosso “Vira Lata” porque também acreditei que não tem essa de raça: são cachorros, tão misturados quanto a raça humana!


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