Arquivo para outubro \07\UTC 2013

O fim da incerteza

Brunno Gomes Ribeiro foi encontrado. Não houve crime, não houve violência, não houve perdas fatais e ele está fisicamente bem. Ao que parece, o que ocorreu com ele foi vivenciar uma das inúmeras expressões da questão social, vista aqui como resultado das contradições capitalistas.
Contar os bastidores da história só cabe aos diretamente envolvidos e, do meu ponto de vista, é absolutamente irrelevante para quem não participa do núcleo familiar do Brunno.
Da minha parte, quero agradecer a todos que foram solidários neste momento de dor e angústia e, dentro de suas possibilidades, procuraram reconfortar a família e aos amigos mais próximos.

P.S. 8/10/13: Para não restar dúvidas, devido a informações anteriores divulgadas pela imprensa antes da confirmação da família, como bem lembrou a Tita no comentário abaixo, confirmo que a informação de que ele foi encontrado foi passada pela família. Inclusive, parece que o caso, para a delegacia, já está encerrado.

A dor do desaparecer

A perda de um ser que amamos causa muita dor e sofrimento. Mas são sentimentos com os quais aprendemos a lidar desde criança. Dói, até desespera, corrói por dentro, mas está baseado em uma certeza, em um fato. Alguém rompeu o relacionamento conosco, alguém faleceu, acabou.

O não saber, por outro lado, é desesperador. Um ser querido desaparecer é algo que racionalmente não conseguimos aceitar. Passamos a viver o sofrimento dos delírios que nosso cérebro​ produz involuntariamente​. Sem saber o que é daquele ser, ele passa a criar fantasias sobre o que pode ter ocorrido.

Desaparecido na Asa Norte, Brasília, Brunno Gomes Ribeiro

Desaparecido na Asa Norte, Brasília, Brunno Gomes Ribeiro

E é esta dor que toma conta desde o dia 30 de setembro de 2013 da família da minha querida amiga Patrícia Pires. O genro dela, Brunno Gomes Ribeiro, saiu de casa na Asa Norte, em Brasília, para ir algumas quadras adiante e não foi mais visto por ninguém.

O Brunno é o típico bom moço: cara família, que fica amigo dos amigos da sogra (tipo eu, assim!), que recebe a todos como se cada um fosse o mais importante, que tem o dom de acalmar seu dia, apenas por sorrir para você. É um cara do bem, esforçado no trabalho, competente no que faz e crente no ser humano. Talvez este tenha sido um problema e a crença de que todos fossem corretos e honestos como ele pode o ter colocado em maus lençóis. Também pode ter cansado da vida normal que tinha e como não fuma não pôde dizer que ia comprar um cigarro, simplesmente saiu para ir ali. Por outro lado, pode ter sofrido um acesso de amnésia, ter passado mal, batido a cabeça e perdido os sentidos. Pode estar vagando pelas ruas sem saber quem é e para onde voltar. Pode ter sofrido algum tipo de violência. Pode, pode, pode, maldito verbo que tudo permite à nossa criatividade.

Da minha parte, só sei que quando ele voltar, seja lá onde esteja, vou abraçar bem forte e ficar calma por poder ver de novo aquele sorriso tranquilo.

Se alguém tiver qualquer informação que possa ajudar a reencontrá-lo, por favor, informe por meio de mensagem aqui no blog ou comunique a polícia pelo telefone 190.

Uma dor desse tamanho, quem aguenta?

P. S.: De acordo com informações divulgadas pela Patrícia Pires no Facebook, no dia 5/10/13, o Brunno foi para São Luiz do Maranhão. “Uma pessoa que morou em Brasília e que conheceu o Brunno, ligou para a minha filha dizendo que ele tinha ligado dizendo que estava em São Luiz. Ela não mora em São Luiz mas no interior do Maranhão. A ligação caiu e não sabemos mais detalhes. … É um alívio sabermos que ele está vivo. Ninguém o viu ainda em São Luiz. Ele não ligou para a família e nem para a polícia como foi noticiado pela imprensa. Não temos nenhuma notícia de seu paradeiro, a não ser que ele pegou esse ônibus para São Luiz”, escreve a Patrícia no Facebook. Continua a torcida para que ele faça contato direto com a família e a tranquilize.


placa Cabo da Boa Esperança

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