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Quem tem doa, quem não tem leva

Quem tem doa, quem não tem leva

Eu não aguento gente que reclama, reclama, reclama – em geral dos outros – mas não olha para o próprio umbigo para perceber onde poderia mudar a si próprio para contribuir com um mundo melhor. Talvez por não aguentar isso, admiro tanto iniciativas simples que geram resultados positivos, sem precisar de muito alarde, mobilizações imensas, investimentos monumentais.

marca Núcleo de Bandeirantes Gadelha FilhoMoro há três anos numa quadra de Brasília que tem um núcleo de Bandeirantes, o Gadelha Filho. Ele é ligado à Federação de Bandeirantes do Brasil, representante no Brasil da Associação Mundial de Bandeirantes. A missão apresentada no site da federação é “ajudar crianças e jovens a desenvolverem seu potencial máximo como responsáveis cidadãos do mundo”. O Movimento Bandeirante tem mais de um século e tem uma proposta de co-educação, baseado em atividades comunitárias.

Pois bem, dia desses, eles penduraram uma placa com ganchos na cerca do núcleo com o dizer: “Quem tem doa, quem não tem leva”. A consequência é que quem não tinha passa a ter de forma simples e eficiente, sem burocracia, sem humilhação, sem constrangimento. As pessoas passam e deixam lá, em geral, roupas (não me ative a olhar o que tinha na sacola da foto…) para doação. As pessoas que têm falta daquilo, observam, analisam se lhes serve e levam. Simples para os dois lados.

A ideia está posta na Entrequadra Sul 102/103, Brasília. Quem quiser, pode replicar no muro da sua casa ou na fachada do seu comércio. Quem não tiver tal disponibilidade pode, simplesmente, passar por lá e deixar alguma coisa. Fazer a sua parte pode ser mais simples do que se imagina.

Gente sem disposição para fazer, só para cobrar, eu não aguento. Gente que faz, eu aguento, e contribuo com suas iniciativas!

#oMudaMaisVoltou

Como eu havia informado no post anterior, eu estava abrindo espaço no Quem aguenta? para replicar os textos do Muda Mais, que tinha sido retirado do ar, devido a uma decisão liminar judicial. Mas, para alegria dos internautas (que já tinham até realizado uma petição online pela volta do site), a liminar foi derrubada e a sentença foi favorável à liberdade de informação. Assim, publico abaixo o texto do retorno do Muda Mais.

Conteúdo Muda Mais, de 18 de setembro de 2014:

O Muda Mais está de volta, mais forte e ativo do que nunca! Salve militância!

O Muda Mais voltouO Muda Mais voltou! A justiça reconheceu o direito de expressão do Muda Mais, o direito a disseminar o debate nas redes, baseando-se na honestidade dos fatos, em uma boa apuração e na checagem das informações que servem ao diálogo franco e aberto, levando em consideração a disputa de projetos que está em jogo nessas eleições.

Na terça-feira, dia 16 de setembro, fomos surpreendidos com uma decisão liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que atendia ao pedido judicial da coligação encabeçada pela candidata Marina Silva (PSB) para a retirada do Muda Mais do ar.

Uma decisão liminar é uma ordem judicial que não é definitiva. Sempre, após a decisão liminar, o juiz se debruça sobre o assunto para melhor compreendê-lo e avaliar os detalhes do caso. Assim, a decisão pode ou não se manter.

Pois bem, a liminar não foi mantida. Diante de todas as explicações jurídicas que foram prestadas – incluindo a comprovação de que nosso provedor está hospedado no Brasil e de que o Muda Mais está ligado ao Partido dos Trabalhadores – o juiz autorizou a imediata retomada do sítio eletrônico, considerando que o que estava sendo questionado pela coligação adversária eram apenas formalismos jurídicos.

Nas quase 48 horas que ficamos fora do ar, a militância espontaneamente partiu em defesa da democracia e da liberdade de expressão. A hashtag #MarinaCensura permaneceu entre as mais citadas do twitter por quase 24 horas e inúmeros foram os sites, blogs e perfis das redes sociais que se posicionaram ao nosso lado.

Continuaremos atuando nas redes sociais, em defesa do projeto de governo em que acreditamos e que tem mudado a vida de milhões de brasileiros ao longo dos últimos 12 anos. É preciso atribuir ao TSE o mérito de restabelecer o primado da liberdade de expressão e favorecer o bom debate político, normal e necessário em um período decisivo como o eleitoral.

Com a decisão de hoje, o Muda Mais volta ao ar com a mesma proposta de sempre: fazer o debate de argumento e ideias, sem ataques infundados ou pessoais. Na democracia, ninguém fala sozinho, e nós temos muito o que dizer!

Combate à fome e à desinformação

O site Muda Mais – de apoio à reeleição de Dilma Rousseff na presidência do Brasil – está fora do ar desde o dia 16 de setembro, por determinação judicial. Por entender que o site traz informações relevantes e que manteve o respeito às visões divergentes, apenas se posicionando com o contraponto e a defesa de ideais com os quais eu compartilho, enquanto o site estiver fora do ar, vou reproduzir aqui alguns dos textos que foram publicados antes da decisão e também algumas notícias quentinhas que estão sendo divulgadas no perfil do Muda Mais no Facebook.

Afinal, eu não aguento gente que foge do debate.

Conteúdo Muda Mais, de 17 de setembro de 2014:

Combate à fome: ONU confirma avanços sociais do Brasil nos últimos anos

ONU Muda MaisA Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou o que a gente já sabia: a vida do brasileiro mudou. Principalmente, a vida daqueles que mais precisavam de atenção do poder público. De acordo com relatório apresentado nesta terça-feira (16), o programa Fome Zero foi parte fundamental na redução em 50% da taxa de desnutrição no Brasil nos últimos anos, já cumprindo um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio para 2015.

Ainda de acordo com o relatório da ONU, a pobreza caiu de 24,3% para 8,4% em 11 anos. No mesmo período, de 2001 a 2012, a pobreza extrema (pessoas que vivem com menos de US$ 1 ao dia) também teve queda brusca, de 75%. Mais do que isso, além de combater a fome, a miséria e suas causas, essa e outras políticas sociais adotadas pelo governo federal contribuíram com a criação de emprego e o aumento de salários.

O programa engloba uma série de ações que garantem o direito básico de acesso à alimentação. Entre as áreas de atuação do Fome Zero, estão iniciativas como a construção de cisternas, restaurantes populares, empréstimo de microcrédito para as famílias mais necessitadas e o Bolsa Família.

Este último, inclusive, já havia sido alvo de elogios em outro relatório da instituição publicado neste ano, que classificou o programa como um exemplo de combate à pobreza e transferência de renda. Ainda de acordo o relatório, o programa “custou 0,3% do PIB em 2008-2009 e foi responsável por 20 a 25% da redução da desigualdade”.
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Mesmo quando #MarinaCensura quer calar o debate, a rede não se cala. Conheça nossas outras redes sociais:
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Para Marina, vice já era um elogio

Desde que o candidato à presidência da República, Eduardo Campos, morreu em um acidente de avião, o cenário político eleitoral de 2014 virou completamente e, tentando me distanciar de paixões, tenho feito muitas reflexões. A principal delas é no sentido da viabilidade técnica de Marina Silva governar o país.

Quando Eduardo Campos foi escolhido candidato e ela vice, houve muita especulação sobre a possibilidade dela ser a cabeça de chapa. As argumentações principais eram que ela teria mais apelo popular, seria mais fácil de ser vendida ao público, era mais conhecida nacionalmente e outras baboseiras nesta linha.

No entanto, não deu pra ela. Não deu porque, claramente, ela não tem estofo para tanto. Politicamente, ela é fraca tanto em seus apoios, que se resumem a ambientalistas e banqueiros, quanto em sua experiência na vida pública. Em 30 anos – sim ela está aí há 30 anos senhoras e senhores! – foi pessoa de uma nota só, nunca foi capaz de discutir o Brasil de forma completa, não me parece sequer que compreende a posição do país no mundo hoje. É a defensora de uma causa, sem conseguir contextualizá-la no universo mais amplo.

A candidata almofada vazia

Marina: a candidata almofada vazia

Agora, com a ausência de Eduardo Campos, querem fazê-la candidata. E o PSB fez. Na prática, ela é candidata. Mas é uma candidatura tão frágil quanto a própria figura física que a carrega. Tenho pensado incessantemente em alguns pontos que não me fazem conseguir engolir sequer a ideia de que, dentro da coligação do PSB ela seja a melhor alternativa:

– ela se diz o novo, a terceira via, mas tem uma história de três décadas de vida política; nesta vida política que está aí, não em outra;

– sua vida religiosa é tão errática quanto a vida política e, mesmo assim, se apega ao fato de hoje ser evangélica (depois de quase ter sido freira) para angariar uma parcela de votos (eu não falei em oportunismo, foi você que pensou);

– como vereadora, seu grande feito foi a tomada de medidas populistas, como devolver parte dos recursos recebidos sem, no entanto, mudar o status quo;

– como deputada estadual, nem mesmo em seu site oficial há algum destaque para suas atividades;

– como senadora, se destacou na defesa do meio ambiente. E só. Só não no sentido de ser pouco. Acho extremamente relevante, aliás. Mas só no sentido de ser restrito, de ser uma atuação de uma nota só. O desempenho fez com que conseguisse o cargo de ministra do meio ambiente no governo de Lula.

Foi uma boa ministra do meio ambiente? Aparenta ter sido. Pelo menos defendeu bem a causa e o Brasil avançou muito nesta questão.

Mas, e o que mais? O Brasil é isso?

Gente com falta de visão, eu não aguento.

 

Casa grande e senzala na sala da podóloga

pé desenho

Outro dia fui cuidar da higiene dos pés e das mãos e, enquanto a podóloga dava conta de uns e a manicure dava conta das outras, na TV da salinha onde eu era atendida, Dilma participava de cerimônia de entrega de casas do programa Minha Casa Minha Vida.

O tema da TV virou assunto da conversa. Eu estava entretida com uma leitura, mas não tinha como não ouvir o que contavam as duas. Entre podóloga e manicure, pelo menos dez pessoas foram citadas por estarem adquirindo casas pelo programa que aparecia na TV. Estavam comprando suas próprias casas. Adquirindo com dignidade, mas dentro das suas condições. Nada de ganhar do governo, como se fazia antigamente. Entre estas pessoas, a própria podóloga, que comentou ainda que o apartamento que recebeu era melhor do que ela esperava. Tanto no tamanho quanto no acabamento. E sua tia, além da casa, adquiriu também móveis novos, com o cartão Minha Casa Melhor.

No fim do ano, ela contou que vai tentar entrar na faculdade, fazendo uso do programa Prouni, que concede bolsas de estudo integrais e parciais em instituições privadas de ensino superior. Afinal, ela tem o curso de podologia, mas quer ir além e sabe que pode. Mas, com o salário que recebe não teria como pagar uma faculdade ou um cursinho para passar numa estadual ou federal.

Conversa vai, conversa vem… acabei participando em alguns momentos, até que a podóloga comentou algo sobre as eleições que estão chegando. Foi a deixa para eu fazer a pergunta: e aí? Vai votar na Dilma? Para mim era uma pergunta retórica. Mas não. A resposta foi surpreendente: “não vou votar, não. Vou anular”. Prossegui na conversa psicodélica na qual tinha me metido, porque agora eu queria desfazer o mistério. Ela confirmou que não votaria na Dilma, mas que também não via ninguém melhor que ela, porque ela tinha feito muitas coisas boas. E, afinal, chegou à explicação: “Meus clientes todos falam que ela não é boa. Não tenho nenhum cliente que vote nela. Então ela não deve ser boa”.

Tudo fez sentido.

Não basta oferecer condições para as pessoas mudarem suas vidas, terem acesso aos espaços de consumo, usarem o mesmo perfume que a patroa, pegarem o mesmo voo que o executivo, adquirirem casas sem ser de favor, ingressarem nas faculdades ou em cursos profissionalizantes para construírem um futuro melhor para elas e suas famílias. É preciso ensinar às pessoas seu valor na sociedade: exatamente o mesmo de qualquer outra pessoa. É preciso tirar das pessoas o ranço da casa grande e da senzala. É preciso fazer com que os próprios empregados não achem que exista o espaço do empregado e o espaço do patrão. Porque, enquanto não conseguirmos isso, os empregados serão subalternos intelectuais de seus patrões.

Para aquela pessoa eu tive a oportunidade de falar sobre isso, sobre os motivos dos clientes não gostarem da Dilma. Eu a fiz pensar sobre o quanto se paga para fazer o pé num ambiente daquele. E o quanto as pessoas que têm dinheiro para pagar isso, em geral, não querem que ela saia do banquinho de cuidar do pé dos outros. Querem que ela fique exatamente ali para sempre. E, para isso, a Dilma não serve mesmo…

 

 

Um ano

foto 8

Foi muito rápido. Um dia nos falamos por telefone, como sempre, e alguns dias depois, fui encontrá-lo no hospital, já sem fazer nenhum sentido. Não houve definhamento, não houve involução. Acabou. Egoísmo meu querer que houvesse. Mas ser pega de surpresa, de uma semana para outra não ter mais meu conselheiro, orientador e confessor, meu pai amigo, exemplo e protetor, foi muito forte.

Na verdade, eu sei que havia 40 anos que eu deveria estar me preparando para o dia. Afinal, desde que nasci ele já percorria seu caminho rumo ao fim, como todos fazemos a cada dia que passa. Ele, naquela altura, já estava há 32 anos na jornada. Mas eu não me preparei, não soube como seria dura e profunda a dor que agora carrego.

Hoje ainda não posso acreditar que essa dor vá passar um dia. Talvez passe, mas hoje não passou e não tenho esperanças. É uma dor física e sentimental, que me acompanha todos os dias, há 365 dias. Acho que com o tempo, o que a gente faz é parar de aborrecer os amigos com as dores da existência e de seu fim e aí fica a impressão de que passou. Mas não passa.

Que o dia de hoje seja curto. Só isso.

No mundo polarizado, é triste perceber que nós também somos maus

Nós e eles.

Oriente e Ocidente.

Esquerda e direita.

Progressistas e reacionários.

Bons e maus.

Peraí… Bons? Quem?

O mundo está cada vez mais polarizado, mas, em algumas circunstâncias, os dois lados são tristemente iguais.

Quando a jornalista Rachel Sheherazade defendeu amarrar o guri no poste, os setores progressistas, defensores dos Direitos Humanos se manifestaram ardentemente contra. Já os reacionários, aplaudiram. Nem vou entrar nos argumentos de cada parte porque não é essa a questão.

Depois, dois jovens branquinhos, com cara de classe media, foram pegos pichando muro no litoral paulista e a reação dos moradores foi pichar o corpo da dupla com o próprio spray. A torcida se inverteu. Muitos que foram contra Sherazade, acabaram a favor do que se chamou de punição educativa ao casal.

Nesse meio tempo, vimos policiais militares que picharam a cara de um jovem flagrado pichando o muro da base da polícia.

Então, o militar reformado, torturador confesso, Paulo Malhães foi morto. As investigações estão em andamento, mas, num primeiro momento, a notícia circulou como a morte tendo sido uma possível queima de arquivo e a causa asfixia. Nas redes sociais surgiram muitos comentários estranhíssimos, inclusive de gente que defendeu a criação da Comissão da Verdade, para investigação dos crimes cometidos durante a ditadura militar no Brasil.

Como bem pontuou o site Muda MaisA Lei de Talião, o infame ‘olho por olho, dente por dente’, que tem se apoderado dos discursos anônimos e midiáticos, tem feito vítimas diárias. Em tempos de linchamentos públicos – só nesta semana, houve dois casos no país – comemorar uma morte se aproxima de uma visão fascista e totalitária.”

Sonho com o dia que seremos todos Mandela. Mas este dia demora a chegar… e cada vez eu aguento menos a incoerência do ser humano.

Frango aos domingos

As pessoas são muito fofas… só na internet

Está circulando doidamente pelas redes sociais um vídeo de um camarada de bom coração que faz uma sequência de gestos bacanas ao logo do seu dia. Divide sua comida com um cão, seu dinheiro com uma menina que quer estudar, sua força com uma idosa que trabalha com um carrinho de mão… É o bom moço que toda mãe quer para casar com sua filha. No final, o que ele ganha com isso? Fica mais rico? Tem mais poder? Não, apenas tem uma vida feliz. E assim termina o comercial de uma empresa de seguros.

Se você ainda não foi contaminado por ele, pegue o lenço e inicie o vídeo aqui.

Os comentários vão desde “assista esse vídeo e se emocione” até “assista e se torne uma pessoa melhor”. E pensar que os caras só queriam vender umas apólices de seguro!

As mesmas pessoas ficaram supercontentes com a notícia que circulou também doidamente pela internet de um camarada que encontrou um dinheiro e uma fatura que venceria naquele dia, pagou a fatura com o dinheiro e ainda se empenhou em descobrir a dona que tinha deixado tudo cair no chão no meio da rua para devolver a fatura paga, juntamente com o troco.

Daí os comentários são ainda mais contundentes: “ah, se todos fossem iguais”, “como o mundo seria melhor se existissem mais pessoas assim”, “puxa, isso é um exemplo a ser seguido”.

E é sempre assim. Toda vez que um cidadão comum (de preferência pobre e endividado, para o enredo ficar mais comovente) encontra uma mala de dinheiro no meio da rua, carteira recheada na lata do lixo ou baú de jóias por aí e devolve, a sociedade entra em comoção, as emissoras de TV vão ao encontro de aumentar a audiência, filósofos e psicólogos são entrevistados nas rádios para abordar o assunto.

Passados alguns dias, tudo volta ao normal. Nenhuma das pessoas que ficaram tão comovidas e choraram diante do computador passa a fazer boas ações por aí como o camarada do comercial de TV e acredito que muito poucas devolveriam alguma fortuna que viessem a encontrar. É o velho ditado transferido para o mundo virtual: faça o que eu compartilho, mas não faça o que eu faço.

As pessoas não percebem que se cada uma delas fosse desse jeito que tanto admiram, aí sim o mundo seria melhor. Não adianta ficar cobrando dos outros, aquilo que você não dá conta de fazer.

Falta de coerência, eu não aguento.

 

Informação inútil

As pessoas deveriam ter mais cuidado com o que fazem com concessões públicas. Ter uma concessão de uma rádio, por exemplo, com o objetivo de informar, mas desperdiçar o tempo do ouvinte com baboseira deveria ser motivo de cassação da concessão. Ah, não pode…. tem a dita liberdade de expressão. Como se expressar abobrinha usando um espectro público fosse um direito.

Enfim, isso é assunto para outro post. O de hoje vai falar sobre uma prática que as emissoras de rádio adotaram agora. Desde que criou o caos aéreo, a mídia tem que alimentar essa lenda urbana e uma forma que ela encontrou é dar o boletim dos voos cancelados, atrasados e no horário. Algo tão útil quanto o boletim da bolsa de valores no jornal da TV no fim do dia, em um mundo de informação em tempo real. Praticamente toda semana vou ao aeroporto voar ou levar alguém que vai voar ou buscar alguém que vem voando. Por vício, ainda ouço essas rádios comerciais ditas de informação. (Mas já estou trabalhando na terapia para ouvir só música.) Quase sempre coincide de ouvir o tal boletim dos voos quando estou indo para o aeroporto. Diz algo mais ou menos assim: “Hoje decolaram x voos do aeroporto Juscelino Kubitscheck, y voos estão atrasados e z foram cancelados”.

Nunca, nunca, nunca em todas essas viagens que me cercam, o tal boletim foi útil. Eu ouço e fico me perguntando: o voo que me interessa está painel online infraeroentre os atrasados, os cancelados ou os decolados? Não se fala nem de qual região, para qual região. Poderia ser: os voos vindos de São Paulo estão atrasados. Nada. Diz x voos atrasados. Quais? Quanto tempo? Nada… Informação absolutamente inútil, que acaba por nem ser informação na verdade. Qual o objetivo? Ocupar o tempo? Preencher 24 horas de programação não deve ser fácil mesmo. Mas conta piada, que é mais útil. Pelo menos, desestressa. Porque falar que tem voo atrasado, voo cancelado, voo saindo, voo chegando, assim, sem mais detalhe, serve apenas para alimentar a sensação de que é necessário falar de quantos voos deram errado, porque são muitos. Mas, normalmente, nem são. É o tipo de coisa que só alimenta a ansiedade do cidadão e não presta serviço nenhum.

Gente que não sabe para que serve seu próprio trabalho, eu não aguento!

Depressão não é tristeza

Sou absolutamente leiga em medicina e estava há tempos querendo tratar do assunto depressão, mas não tinha uma boa forma de apresentar o tema. Na verdade, eu queria mais era fazer um exercício para expor um pouco do conhecimento que tenho, na tentativa de elucidar algumas pessoas ainda mais leigas do que eu. Afinal, eu não aguento mais gente que entende depressão como uma tristeza qualquer. Recentemente, circulou no Facebook um vídeo muito interessante sobre o assunto e me animei a tratar do tema e apresentar o vídeo. Não gosto muito da ideia de um cachorro no papel de depressão, porque, para mim, cães sempre fazem parte da cura dela. Mas, no caso, o papel é bem desempenhado…

De acordo com matéria da revista Super Interessante de junho/2013 (edição 319), assinada por Carol Castro, atualmente 350 milhões de pessoas lutam contra a depressão no mundo. Assim, a possibilidade de você conhecer alguém que tenha esta doença, é muito grande. Por isso, é importante saber lidar com a questão.

É fundamental entender que depressão não é melancolia, não é tristeza, não é a apatia que se dá diante de um fato inesperado da vida. A apatia, a tristeza e a melancolia podem até aparecer como “sintomas” da depressão. A pessoa tende a não reagir, a ter dificuldade em ver as coisas boas da vida, a focar no negativo. Mas se ela tem depressão, necessariamente tem um desequilíbrio químico no cérebro.

Ou seja, é como hepatite, câncer, fibromialgia ou qualquer outra doença temporariamente incapacitante que você queira enumerar. Não dá para virar para uma pessoa com uma dessas doenças, que se encontra prostrada na cama e falar: “olha o relógio, é hora de trabalhar, vai lá!” Não depende da vontade da pessoa cumprir suas responsabilidades ou olhar o mundo da forma como você acha certo que ela olhe.

É fato que a indústria farmacêutica contribui muito para o alto índice de pessoas diagnosticadas com depressão. Já li vários relatos de pessoas que trataram depressão e depois descobriram que tinham outro mal. A mesma matéria da Super Interessante traz depoimentos neste sentido. Mas é fato também que a vida moderna gera, naturalmente, seres humanos estressados e ansiosos. E estes podem ser alguns dos fatores que desencadeiam o tal do desequilíbrio químico da depressão. Vale observar que não é qualquer desequilíbrio cerebral que significa depressão. Existem vários elementos no cérebro e é preciso que alguns deles sejam afetados para a pessoa ter a doença.

Ou seja: não é fácil diagnosticar, assim como não o é tratar. Pessoas que na mesa do bar ou numa conversa de elevador afirmam que o outro está com depressão e já indicam o remédio adequado deveriam ser presas. A sorte é que não é tão fácil conseguir os remédios para este mal e o paciente acaba tendo que consultar um psiquiatra ou neurologista. Fato é que também nem sempre estes acertam na dose e no tipo de medicamento. Do que eu já vi, é quase um jogo de acerto e erro do médico com a cabeça do paciente…

É importante ressaltar nisso tudo que quando você vê seu colega de trabalho que antes era tão falante ficando a cada dia mais triste ou quando um parente seu sofre uma decepção e fica apático, horas sentado à frente da televisão, esperando que se abra a porta da esperança… não necessariamente estas pessoas estão com depressão. Podem estar tristes diante de um tropeção da vida, vão viver o momento e vão se recuperar mesmo sem tratamento médico

A revista Vida em harmonia também trata do assunto na edição de fevereiro/março de 2012, em artigo do psiquiatra Marcelino Henrique de Melo. Ele alerta que “sentimentos como a tristeza, ciúme, remorso, vergonha, desesperança são legítimas manifestações humanas”. Na depressão existem sintomas como a alteração da capacidade de experimentar o prazer, lentidão psicomotora, problemas de sono, diminuição da auto-estima, ideias de culpa ou de indignidade. A gravidade da doença está, entre outros distúrbios causados no organismo, na geração de ideias suicidas. Uma simples tristeza ou prostração não leva a isso, mas a doença sim. Além disso, situações cotidianas estressantes “causam um sofrimento desproporcionalmente maior e mais prolongado nos deprimidos”, explica o psiquiatra.

O grande problema é que identificar a doença não é fácil nem mesmo para quem a tem: “O deprimido geralmente percebe que não está bem, mas nem sempre reconhece que se trata de uma doença e atribui o fato a situações de vida, muitas das vezes demorando a procurar ajuda”, destaca o artigo. No entanto, é preciso procurar ajuda, porque tristeza passa, mas depressão tem que ser tratada.

Insisto: tristeza e prostração são tristeza e prostração. Depressão é outra coisa. Gente que confunde isso, eu não aguento mais!


placa Cabo da Boa Esperança

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