Sou uma pessoa em formação e muito feliz por ter percebido isso. Aceitei o bonito desafio da vida de construí-la a cada dia.
Aos 20 anos eu fazia militância política em âmbito estudantil. Acabei me desligando do grupo ao qual pertencia por divergências ideológicas; um pouco de inflexibilidade minha, talvez. Fiquei independente e assim estou até hoje, o que não me faz menos politizada ou engajada, deixo claro.
Conto isso porque, naquele momento, um companheiro falou que, com minha atitude, eu corria dois riscos: me deixar levar pela comodidade da despolitização ou me anular a ponto de me perder na história. O alerta foi muito importante, porque, desde então, sempre me policio para que não aconteça nem uma coisa nem outra.
E, justamente, para não cair no risco de me apagar na história, escrevo agora o Quem aguenta? Pretendo aqui mostrar tudo que não aguento, marcar minha posição, fazer a defesa das coisas nas quais acredito e tentar convencer as pessoas da minha tese: se houver justiça social, o mundo será melhor para todos. E justiça social não significa você ter, você conquistar, você mandar…
Enfim, o blog da Sanflosi nos ‘enta surgiu do desejo de compartilhar minhas ideias e mostrar para as pessoas como é bom fazer quarenta, cinquenta, sessenta e tantos mais anos. Afinal, idade é experiência e, quanto mais se vive, melhor se compreende o mundo. Claro que isso tem a ver com a vivência de cada um, com aprofundar o conhecimento, com ampliar os horizontes. Ficar em casa vendo o mundo pela janela ou, pior, pela tela da televisão de um só canal, não é viver. Falar em “todo o mundo” pensando apenas em Estados Unidos e Europa – isso quando lembra da Europa… ah, não, não é viver.
Passei dos meus quarenta anos e, olhando para trás, tenho orgulho de ter vivido quatro décadas. Não apenas passei pelo mundo. Conheci o mundo de fato, um mundo maior que o de muita gente mais velha do que eu em idade, mas criança em termos de vivência. Por isso achei que ter um blog fazia sentido.
Graças a essa história, conheço a diversidade e aprendi a me adaptar a ela e curti-la em todos seus aspectos. Vivi em São Paulo e Brasília, no Brasil, Washington D. C., nos Estados Unidos, e Maputo, em Moçambique. Hoje vivo no Rio de Janeiro, de novo no Brasil. Na primeira vez que saí da minha zona de conforto, foi difícil perceber que o pãozinho ao qual eu estava acostumada todas as manhãs só existia no meu mundo. Foi o começo de perceber o quanto meu mundo era pequeno…

Trajetória

Depois da militância estudantil, fui jornalista por quase duas décadas. Escolhi a profissão baseada nos meus parcos conhecimentos do mundo. Aos 17 anos, não tinha vivido nada ainda.
Enfim, o jornalismo possibilitou que eu conhecesse os melhores amigos até hoje e o melhor marido que eu poderia ter. Então, não foi de todo tempo perdido.
Mas, lá pelos 35 anos, eu entendi melhor o que significava ser Assistente Social no novo milênio e resolvi trilhar esse caminho. Aos 42 anos concluí o curso de Serviço Social e sigo com a convicção de que agora encontrei o meu lugar. No 4° semestre da faculdade estudamos o Código de Ética da profissão e nele consta como valor ético central a liberdade. Além disso, entre os princípios fundamentais está: “defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do arbítrio e do autoritarismo”. Quando li o código, eu quase pulava da cadeira feito cão que vê seu biscoito: sou eu! Sou eu! É para mim! É para mim!
Estou tão feliz com a escolha que não caibo dentro de mim. Sair de casa para estagiar aos 40 anos foi uma grande alegria. Mostrar os caminhos para as pessoas usufruírem seus direitos, contribuir para diminuir a desigualdade social e, em cada ato, fazer a defesa intransigente dos direitos humanos é minha realização.
Além disso, sou esposa do Eduardo Castro e vivem conosco os cães Otto e Elmo, que adotamos, porque vida não se compra.

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