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Uma fantástica obra de engenharia

Conforme falei aqui, nas férias mais recentes, um dos destinos foi a cidade do Panamá. O objetivo da viagem era conhecer o Canal do Panamá, que liga os oceanos Pacífico e Atlântico, cortando o Panamá, país muito conhecido também pelos chapéus, que não são feitos lá (mas isso é história para outro post). 159 canal do Panamá Eu fui quase que por obrigação com o conhecimento. Na escola estudamos o tal canal, sua importância econômica, tal… achei que, uma vez que faria conexão na cidade onde ele fica, seria razoável dar valor às minhas aulas de geografia e conhecê-lo.

É fantástico! Fiquei maravilhada. Passaria dois dias seguidos olhando aquela obra monumental da engenharia funcionar. Se tivesse uma mínima vocação para os números, estudaria engenharia só para ter a mesma profissão dos que fizeram aquilo. Por que eu não me organizei para fazer o passeio de barco e passar por dentro do Canal? (Sim, tem essa possibilidade!) Sério que isso foi feito há 100 anos? Que genialidade! Como eu demorei tanto tempo para conhecer o Canal do Panamá?

Se você for a algum país com voo que faça conexão na cidade do Panamá, um dos maiores hubs aéreos do continente – hub, para ficar claro, é o ponto de convergência de rotas aéreas – não deixe de visitar o Canal. Se você não estiver indo para esta direção, dê um jeito de ir. Vá ao Panamá. Conheça o Canal. Tem muitas outras coisas para fazer no país também, como passeios a comunidades tradicionais, florestas, a parte antiga da cidade do Panamá, compras, muitas compras. Mas, se não quiser fazer mais nada, somente vá ao Canal do Panamá. A entrada para não residentes custa US$ 15 (quinze dólares) e o Centro de Visitantes funciona diariamente, das 9h às 17h.

Sim, é isso. Um passeio despretensioso, sem grandes expectativas, se transformou num grande entretenimento. Acho que fiquei uma hora lá, olhando os navios passarem de um lado pro outro. E passaria o dia inteiro. No meio da observação, entramos no museu que explica a construção e o funcionamento de tudo aquilo, que fica no Centro de Visitantes das eclusas de Miraflores. Serviu para eu ficar ainda mais maravilhada.

Ao lado esquerdo do ponto de visitação, vemos a primeira comporta

Ao lado esquerdo do ponto de visitação, vemos as entradas para as duas eclusas

Um navio aproxima-se da primeira comporta

Um navio aproxima-se da primeira comporta

Primeira comporta começa a abrir

Primeira comporta começa a abrir

Abriu a primeira comporta

Abriu a primeira comporta

Dois navios se aproximam da segunda comporta, nos dois canais paralelos

Dois navios se aproximam da segunda comporta, nas duas eclusas paralelas

E lá vão para a segunda comporta

Vão para a segunda comporta

Tarantella passou pela segunda comporta

O navio Tarantella passou pela segunda comporta

E lá vai o Tarantella...

E lá vai o Tarantella, seguindo à direita do ponto de visitação

Nas três imagens abaixo, é possível ver como o navio vai emergindo na eclusa, conforma a água preenche o espaço:

10 174 barco de passageiros subindo               11b 175 barco de passageiros subindo                   12 176 barco de passageiros subindo

O canal foi inaugurado em 15 de agosto de 1914 e se tornou um ponto estratégico e militar importantíssimo para os Estados Unidos. Só para se ter uma ideia, antes dele, os navios que iam de Nova Iorque à Califórnia contornavam toda a América pelo Sul, passando pelo Cabo Horn, extremo sul da América do Sul.

Por meio do Tratado Hay-Bunay Varilla, também conhecido como Isthmian Canal Convention, ficou definido que os Estados Unidos teriam o domínio perpétuo sobre a zona que ligava uma costa a outra do istmo onde seria construído o canal. Em troca, o país pagaria 10 milhões de dólares e mais um arrendamento de 250 mil dólares anuais ao Panamá. Trabalhadores de todo o mundo se dirigiram à região para a construção do Canal. Mais de cinco mil deles morreram, vítimas de acidentes, malária, febre amarela e outras doenças tropicais.

Em 1964, 20 estudantes foram mortos ao se manifestarem em defesa da autonomia panamenha, visando tirar a bandeira americana da zona do Canal e substituí-la pela do Panamá. Graças à pressão popular, em 1977 foi assinado um novo tratado, Torrijos-Carter, no qual os presidentes dos Estados Unidos e do Panamá concordaram que a administração do canal ficasse a cargo dos Estados Unidos até 1999 e, a partir de então, o controle seria passado ao Panamá.

Hoje, o canal é um orgulho panamenho e também fonte de riqueza para o país, com a passagem de cerca de 15 mil embarcações por ano. No site apolo11.com é possível ver a explicação de como funciona o Canal. E também acompanhar vídeos em tempo real, neste link aqui. Este outro vídeo aqui também é bem legal, porque mostra, em um minuto, o movimento de 12 horas do Canal em imagens aceleradas. E tem ainda este outro que mostra detalhadamente como funciona o Canal do Panamá. Se você não for pessoalmente, pelo menos visite os sites indicados aqui para ter um pouco da noção desta obra gigantesca, construída mais de um século atrás e que até hoje funciona sob a mesma lógica de operação.

160 canal do Panamá Porque ficar sem viajar e conhecer o mundo… eu não aguento!

Dois países, quatro hotéis

Nossas férias mais recentes se passaram em dois países: Cuba e Panamá. Mas mais do que uma viagem por países, fizemos turismo em hotéis. Em geral, a gente costuma escolher hotéis legais para ficar, mas dessa vez… foram hotéis de fazer turismo dentro. Então, achei que valia um post para contar sobre eles.

Habana Libre, em Havana, Cuba – O nome completo agora é Tryp Habana Libre, porque ele entrou para a rede Meliã, o que foi ótimo, porque revitalizaram o edifício por dentro e por fora, mas sem perder suas características originais. Foi como dormir na história. Em 1 de janeiro de 1959, após a vitória da revolução que libertou cuba da ditadura de Fulgêncio Batista, os revolucionários tomaram o hotel que havia sido construído justamente durante a ditadura e ele passou a ser alojamento e sede do novo governo. Fidel se instalou no apartamento 2.324 e de lá coordenava as atividades no país. Assim foi por três meses. No lobby do hotel tem uma galeria de fotos da época. Lindo ver os revolucionários espalhados com cara de acabados pela luta, nos sofás do grandioso hotel. São 25 andares, com excelente infraestrutura em 10 mil metros quadrados de muita história e ótima localização. Na fachada, um enorme mural de cerâmica, da pintora cubana Amelia Peláez recebe dá as boas vindas aos hóspedes.

Habana Libre

Hotel Nacional, em Havana, Cuba – Construído em 1930, Monumento Nacional desde 1998. Oferece linda vista do Malecón – avenida beira-mar, com calçadão, onde se pode encontrar artistas de rua tocando instrumentos de sopro e apreciar o mar batendo no imenso muro que o separa da calçada. Mas oferece muito mais. História na veia outra vez. Tanta história que, duas vezes por dia, é feito um tour pelo hotel. Eu nunca tinha visto algo igual. No tour, visitamos o bunker que fica sob os jardins e onde se pode aprender sobre a crise dos mísseis, de 1962, e vimos canhões originais que defenderam a ilha na guerra hispano-cubana-norte-americana, de 1898, quando o terreno hoje ocupado pelo hotel era um forte. É possível ver também a galeria de fotos com personalidades conhecidas mundialmente que já estiveram por lá, presidentes de países, atores, cantores, etc. Nas portas de alguns quartos há a indicação dos famosos que já dormiram naquela habitação.

tour Hotel Nacional 1

Sem contar que, de todos os hotéis que eu fui na vida, foi o único que levou a sério a própria propaganda da sustentabilidade. Há mais ou menos uns dez anos, os hotéis passaram a deixar um aviso de que lavar toalhas de banho todos os dias consome muita água e água é vida, é essencial ao planeta, blablabla e, então, se você, hóspede, temsustentabilidade no Hotel Nacional consciência ecológica, deve pensar se é necessário lavar sua toalha hoje e, caso considere que não, você deve deixá-la pendurada; se considerar que deve ser lavada, deixe no chão. Desde que vi isso pela primeira vez, invariavelmente eu tento usar a mesma toalha dois dias seguidos e absolutamente nunca consegui. Ou seja, o hotel fica de bonito como se estivesse preocupado com o meio ambiente, mas não é capaz de treinar seus funcionários a fazerem o que prega. No começo eu enviava reclamação para a gerência, hoje desisti, porque mesmo nos hotéis em que fiz isso e voltei a me hospedar, a regra nunca foi cumprida. E não é que no Nacional de Cuba foi? Gente, lindamente. A toalha que estava no chão foi trocada e a que estava pendurada não.

corredor do hotel Nacional

Meliã Cayo Santa María, Cayerías del Norte, Cuba – Um resort no estilo all inclusive, à beira do mar caribenho, em uma ilha que fica num arquipélago ao norte da grande Ilha. Seis restaurantes, quatro bares, spa, piscinas e amplos quartos com varanda garantem atendimento, descanso e entretenimento 24 horas. A única preocupação do hóspede é decidir o que quer fazer: tomar mojito na beira da piscina ou ser atendido na praia de areia fofa diante do mar azul caribenho? Jantar no restaurante japonês ou no italiano? Participar da aula de ioga ou ouvir a banda cubana que está a tocar no bar do lobby? Massagem…

280 Meliá Cayo Santa María

Hard Rock Hotel Panama Megapolis, Cidade do Panamá, Panamá – O plano inicial era aproveitar a conexão no Panamá para conhecer o Canal do Panamá. Nem dormiríamos no país. No retorno ao Brasíl, chegaríamos de Cuba cedo, iríamos ao passeio e no fim do dia pegaríamos voo para Brasília. Mas a Karla Maria, da agência Mundo Tour, sempre me surpreendendo positivamente, colocou duas noites num hotel, que eu nem sabia que existia, mas quando vi do que se tratava… quis mais! São mais de 1.400 quartos super confortáveis, em um prédio de 63 andares de muito rock na veia. Ficamos num quarto no 55o andar. Dá pra imaginar? Não, né? Então, aí vai a foto:

188 vista do 55o andar do Hard Rock Hotel Panama

E pelos corredores, muitas peças que fizeram a história dor rock and roll.

154 Hard Rock Hotel Panama

Lá dentro também conhecemos o Tauro, restaurante especializado em carnes. O preço é um pouco salgado, mas vale cada centavo. Carne maravilhosa, acompanhamentos perfeitos, ambiente super bem decorado. Para os carnívoros profissionais, é o lugar…

151 Hard Rock Hotel Panama restaurante Tauro

Curiosidades para ficar bem em Cuba 2

Da primeira vez que visitamos Cuba, em 2013, escrevi o post Curiosidades para ficar bem em Cuba, com algumas dicas para não ser pego de calças curtas levando pouco dinheiro e só seu cartão American Express, por exemplo, que não vai servir pra nada lá. Um ano e pouco depois, atualizo as dicas, com reforço especial na “taxa de saída”, porque assisti à cena de duas moças pagando um mico federal e não quero leitor meu passando por isso.
Vamos começar por aí, então:
Taxa de saída – na saída do país, depois de fazer o seu check-in na companhia aérea, é necessário pagar uma taxa aeroportuária, que não é cobrada juntamente com o valor da passagem e só pode ser paga neste momento e em efetivo. Sabe do que se trata? Taxa de embarque. Simples assim. Você paga em absolutamente todo voo que faz no mundo. A única diferença é que em Cuba ela não é paga junto com a passagem. Em geral, em qualquer voo esse não é um valor parcelável, por exemplo. Quando você compra a passagem para pagar em várias parcelas, a primeira tem um valor maior, porque inclui as taxas de embarque, que são destinadas ao aeroporto. No caso de Cuba, não é parcelável, nem pagável de outra forma que não seja em efetivo na hora do embarque. Então, deixando claro: não se paga para sair de Cuba. O que se paga é a taxa de embarque, como em qualquer voo. Na fila para pagar a taxa assistimos duas turistas europeias raivosas bradando que nunca tiveram que pagar para sair de país nenhum, como se ali elas estivessem presas feito reféns. Na verdade, sempre pagaram, pagaram taxa de embarque quando saíram de avião. Exatamente como em Cuba. Tá bom que o governo cubano não ajuda – talvez até se divirta com a situação – e não deixa claro que a taxa aeroportuária é a famosa taxa de embarque, como o valor é conhecido em boa parte do mundo…
Atualmente, a taxa é de 25 CUCs. Portanto, lembre de deixar esta reserva. Na verdade, a saída obedece a uma sequência de filas, que todos fazem igual: check-in, pagamento da taxa de saída e troca dos CUCs que sobraram por euros ou dólares. Os balcões ficam lado a lado e é só seguir o fluxo.
Visto – permanece a mesma política. Antes de ir é preciso tirar o visto, que não é um visto comum, carimbado ou selado no seu passaporte, mas uma espécie de voucher, chamado de Tarjeta Turística e custa atualmente R$ 45. Em geral, as operadoras de turismo que trabalham com o destino, fazem isso para você. Basta enviar uma cópia do passaporte e preencher um formulário. A Tarjeta Turística tem validade de 30 dias, que pode ser prorrogada por mais 30 no próprio hotel onde você se hospedar ou nas autoridades nacionais de imigração. Vale observar que a tarjeta é válida para uma só entrada no território. Se sair, mesmo que voltar antes dos 30 dias, terá que tirar outra. Mais detalhes podem ser encontrados na sessão de Serviços Consulares do site da Embaixada de Cuba no Brasil.
Vale observar que, apesar do visto ser uma tarjeta em separado, você vai precisar do passaporte, com validade mínima de seis meses para entrar no país.
Dinheiro – você pode trocar dólares ou euros por CUCs (a moeda cubana para turistas) em casas de câmbio no aeroporto ou no hotel. Em geral, 1 CUC vale cerca de 1 dólar. Mas trocar euro vale mais porque as taxas sobre o dólar são mais altas. Tem o CUP, que é o Peso Cubano, moeda utilizada pelos cidadãos cubanos, e o CUC, peso conversível, moeda utilizada pelos turistas. Com um CUC você compra cerca de 23 CUPs. No entanto, você não vai precisar fazer isso, porque é turista e não vai usar a moeda dos cubanos. Então, esqueça CUP, pense em CUC (mais ou menos 1 dólar) e relaxe, porque a vida lá é razoavelmente barata. Agora é possível encontrar caixas eletrônicos que permitem saque em CUP ou em CUC. Como você vai sacar com um cartão de crédito estrangeiro, não precisa se preocupar de novo, o governo cubano facilita sua vida e, automaticamente, você vai sacar em CUCs.
Custo – com o equivalente a 50 dólares por dia, você se alimenta, anda de táxi e faz os passeios. Com 100 dólares por dia, você ainda traz na bagagem metade de Cuba. Para se hospedar em um hotel categoria turística (3 estrelas), você vai gastar cerca de US$ 40 por noite, com café da manhã, podendo encontrar boas ofertas, dependendo da temporada. Em um 5 estrelas histórico, como o Hotel Nacional, a brincadeira já fica um pouco mais cara, podendo ultrapassar US$ 100 por noite. Cuba tem lembrancinhas muito originais e também uma boa oferta de livros, tanto em livrarias, quanto em sebos a céu aberto. Nesses lugares, é possível encontrar raridades, como relógios feitos na URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) ou jóias do início do século passado, a preços bastante acessíveis. O preço das lembranças para turistas, como camisetas com a bandeira de Cuba, bolsas com a cara do Che Guevara, etc. não varia muito. Você encontra no centro da cidade mais ou menos o mesmo preço que no hotel ou no aeroporto. É uma das vantagens de tudo ter o mesmo dono, o Estado.
Cartão de crédito – raríssimos ainda são os lugares que aceitam. O melhor é se garantir com dinheiro na mão mesmo. Mas, se for levar, certifique-se que não é emitido por um banco estadunidense. Se for, não será aceito nem onde se aceita cartões. Também não são aceitos cheques de viagem.
Clima – o clima em Cuba é tropical e úmido, com a temperatura variando de 18 a 31 graus. Já a água do mar tem temperatura de 25 a 30 graus. A época de menos chuvas vai de novembro a abril. De julho a outubro, tem a temporada de furacões. Nesse período, você pode até encontrar boas ofertas para ir e se hospedar, mas tem que contar com a possibilidade de perder alguns dias fechado no hotel, para se proteger.
Eletricidade – A corrente em Cuba é 110 V. Mas em alguns hotéis você encontra tomadas 220 V. A tomada padrão é para plugues de dois pinos achatados. Convém levar um adaptador.
Gorjeta – na segunda viagem também entendemos melhor os valores para se deixar de gorjeta. E entendemos que o critério é muito pessoal, de acordo com o quanto o serviço agradou e com a sua realidade financeira. Deixar 10% do valor da conta em bares e restaurantes é visto como justo. Mas se você deixar 1 CUC, independente da conta final, está ok. Para a tiazinha que toma conta do banheiro, 5 ou 10 centavos está bom. Experimentamos não dar gorjeta para o taxista, só pagar o cobrado. Deu certo. Mas também você pode usar o critério dos 10%. A não ser em corridas com valor combinado previamente, quando não é necessário mesmo dar gorjeta. Em geral, 1 CUC para quem você for com a cara está de bom tamanho. Vale observar que em nenhum momento fomos cobrados a deixar gorjeta ou hostilizados por não fazê-lo ou deixar pouco. Nos hotéis, por exemplo, saíamos para curtir a piscina ou alguma área ao ar livre e vinham os músicos ou o atendente do bar nos servia uma bebida. Pela prática de assinar a fatura do consumo ou nem assinar no caso de hotel all inclusive, acabávamos saindo sem dinheiro e não dávamos gorjeta. Absolutamente compreendido. Por outro lado, vimos turistas deixando gorjetas de 10 dólares por pequenos atendimentos.
129 tour pela medicina cubanaSaúde – é preciso estar com a vacina de febre amarela em dia, tomada ao menos dez dias antes da entrada em Cuba. Também é preciso ter um seguro de saúde. Desde maio de 2010, tanto viajantes estrangeiros quanto cubanos residentes no exterior devem ter um seguro de viagem com cobertura para gastos médicos dentro de Cuba. No site da Embaixada de Cuba, você encontra mais informações. Afinal, você achou que ia residir num país capitalista, mas ser atendido pelo serviço público de saúde que é referência mundial em qualidade de graça? Não seria justo, não é mesmo? Residente fora de Cuba, paga pelo atendimento em saúde. Aconteceu conosco. Precisamos ser atendidos e no próprio hotel em que estávamos hospedados tinha um posto de saúde. Fizemos consulta, recebemos medicamentos, tudo na melhor forma. O único problema é que o número do seguro de saúde não nos atendeu no ato e precisamos pagar, para pedir o reembolso no retorno ao Brasil.
Papel higiênico – Está aí um item que eu não costumo listar nas dicas de viagem. Mas, no caso, é importante. Já falei no primeiro post e repito. Papel higiênico é um dos artigos controlados em Cuba. Por conta do embargo econômico sofrido pelo país, a entrada de alguns itens fica difícil. Então, claro que no hotel você encontra o artigo no seu banheiro. Mas, nos banheiros públicos, de museus, restaurantes, casas noturnas, aí pode não haver. Ou, no máximo, tem a tiazinha que toma conta do pedaço em troca de algumas moedas. Ela toma conta não só do banheiro, como do pedaço do papel higiênico também. Você dá uma moeda e ela lhe dá um tanto de papel. Sempre o mesmo tanto, não adianta melhorar a moeda. Então, para evitar imprevistos, a dica é andar sempre com lenços de papel ou mesmo um rolo de papel higiênico na bolsa.
Comunicação – telefonar para o Brasil de telefones fixos sai caro e nem sempre se consegue completar a ligação. O primeiro minuto pode valer mais de 5 CUCs e depois 0,05 centavos a cada minuto. Telefones celulares do exterior podem obter sinal por lá, desde que seja contrato pós pago e a operadora de origem tenha convênio de roaming com a Cubacel. Para mais detalhes, pode entrar no site da operadora cubana, que é o www.cubacel.cu. Internet é cara e rara: de 6 a 10 CUCs por uma hora nos hotéis e você só consegue sinal wi-fi em alguma área restrita, como o lobby, ou nem isso: tem que usar o computador com cabo ADSL do hotel, que não vai disponibilizar muitas máquinas e as que tiver serão lentas. Ou seja, a comunicação com o exterior, em geral, é difícil. Dá até para entender que talvez a ideia seja não deixar os nativos se contaminarem pela propaganda externa, pelo vírus do capitalismo e do consumismo… mas, nós, turistas, já estamos perdidos, nem adianta… enfim, de certa forma é até bom, porque isso faz com que lá férias ganhem ares de férias de verdade.

Cuba além de Havana e Varadero

O básico para fazer em Cuba é a capital, Havana, e uma praiazinha, porque ninguém é de ferro. Afinal, a ilha é no mar do Caribe e isso não é qualquer coisa. Como Varadero é a praia mais próxima de Havana, o destino mais óbvio é lá. Seguindo essa regra, na primeira vez que fomos a Cuba, conhecemos exatamente Havana e Varadero.

Agora, em janeiro de 2015, voltamos para Havana e conhecemos também Santa Clara, Remédios e Cayo Santa María, tudo na província Villa Clara. Ainda falta muito, mas já deu para satisfazer mais nossa sede de compreensão e conhecimento sobre a ilha dos Castro. 091 Villa Clara

Santa Clara é a terra de Che Guevara. Lá ele liderou o Exército Rebelde na tomada do trem blindado, em 29 de dezembro de 1958. A última grande ação da revolução, que permitiu a chegada ao poder em 1 de janeiro de 1959, libertando o povo da ditadura de Fulgêncio Batista.

Para marcar a importância da relação entre o lugar e Che, é lá que se encontra o mausoléu com os restos mortais do herói argentino. Fica ao lado de um museu com peças de vestuário e objetos do cotidiano de Che Guevara, ambos sob um enorme monumento à oeste do Parque Vidal. 044 Santa Clara Che Na mesma cidade também estão preservados alguns vagões do trem blindado, que carregava mais de 400 homens e um poderoso arsenal de armamentos com canhões, bazucas, lança foguetes, metralhadoras, fuzis e inúmeros projéteis. Eles estão no exato local onde o trem foi atacado em uma batalha de uma hora e meia que foi decisiva para o sucesso do Exército Rebelde. 277 assalto ao trem blindado Santa Clara é Che Guevara na veia. Se você admira o cara, vá. Se não admira, leia mais. Mas é também muita agitação cultural. Lá fica a segunda universidade mais famosa de Cuba: Universidad Central Marta Abreu de las Villas. A primeira é a Universidad de La Habana. Com isso, a cidade tem muitos jovens e inquietos universitários, que fazem da vida noturna uma mistura de música, teatro e dança. 042 a cultura em Santa Clara Estando em Santa Clara, você consegue pegar um ônibus até Remédios, da companhia Víazul, e, em menos de uma hora chegar a um dos povoados mais antigos de Cuba, onde fica o bar mais antigo do país em atividade contínua: El Louvre, inaugurado em 1866. Em algumas horas vo060 Remédios restaurante mais antigocê anda a cidade toda, vê a arquitetura colonial, desfruta de um ambiente tranquilo numa pequena cidade pacata do interior.

Tanto em Santa Clara quanto em Remédios, é possível comer em restaurantes destinados ao público local com mais facilidade do que em Havana. Explico: em Cuba temos duas vidas financeiras paralelas – a dos turistas e a dos moradores locais. Contei aqui que isso significa haver duas moedas, o CUC dos estrangeiros e o CUP dos locais. Assim, a maioria dos lugares que frequentamos é para turista ver. Já cobra logo em CUC e quase não se vê cubano como cliente. Daí surgem as várias lendas sobre como os cubanos vivem mal na própria ilha. Com o tempo, passaram a ser permitidos os Paladares, que são restaurantes, instalados nas casas de cubanos, que servem comida típica local, com ares mais caseiros. No entanto, a maioria dos frequentadores ainda é estrangeira. 089 La Toscana Santa Clara

Em Villa Clara conhecemos alguns restaurantes como o Portales de La Plaza (em Remédios) e o La Toscana (em Santa Clara) frequentados por moradores locais. Nesses estabelecimentos, inclusive, a conta veio em CUP e tivemos que pedir a gentileza do garçom converter para podermos pagar com a única moeda que tínhamos, CUC. Para surpresa do leitor mais ingênuo, a comida era ótima, da mesma qualidade que nos restaurantes “para turista ver”. A diferença é que o prato para os locais sai bem mais barato e o serviço é menos cheio de frufru.

Na região, há ainda Trinidad, na província vizinha de Sancti-Spiritus. Não coube no nosso roteiro, mas parece bastante interessante, uma cidade colonial maior e com mais edifícios preservados do que Remédios. Comparando para quem é do Centro-Oeste do Brasil ou conhece a região: Remédios é mais Pirenópolis, Trinidad é mais cidade de Goiás. Fomos a Remédios, pelo mesmo motivo que as pessoas que estão em Brasília, em geral, vão a Pirenópolis: é mais perto.

Nossa última descoberta nessa viagem foi Cayo Santa María. Cayos são as ilhas menores que cercam a grande Ilha de Cuba. Para chegar a Santa María, foi construído El Pedraplén: 48 km de estrada em forma de recifes artificiais que ligam as Cayerías del Norte (seria o arquipélago do Norte). Até Cayo Santa María são 45 pontes na estrada, que permitem o escoamento do mar em meio aos recifes. É uma mistura fantástica de obra da natureza com obra dos homens. Em Cayo Santa María, assim como em Varadero, uma sequência de resorts acolhe os turistas com ótima hospitalidade e grande oferta de serviços e passeios. Dias para não fazer nada, apenas escolher entre água doce ou água salgada, bar da piscina ou bar da praia, Mojito ou Daiquiri, churrascaria ou restaurante japonês, massagem relaxante ou energizante… 118 Cayo Santa María Mas hotel é assunto para outro post, porque tanta informação num só, nem eu aguento.

Jornalistas, parem para pensar no que têm feito

No dia 13 de outubro de 2014, a presidenta Dilma Rousseff falou aos jornalistas em entrevista coletiva: “Todos vocês sabem em que circunstância o ministro Guido [Mantega, da Fazenda] está pedindo o afastamento. Todos aqui sabem. Me poupem. Porque eu acho que é uma questão de respeito pessoal”.

Sim, todos os jornalistas, assim como as pedras nas ruas, principalmente de Brasília, sabiam das circunstâncias pessoais pelas quais passava o ministro Mantega. Mesmo assim, aqueles jornalistas continuaram espezinhando o ministro, deturpando o resultado de seu trabalho, destruindo uma reputação, apenas porque ele não representava o projeto de país que eles defendem.

No mesmo mês que Dilma tinha essa conversa com a imprensa que se comporta feito adolescente malcriado, a taxa de desemprego – uma das principais marcas positivas da economia na gestão da Dilma, com Mantega como ministro – caiu para 4,7%, o menor índice para o mês desde que o IBGE passou a divulgar o dado.

Mantega conciliou desenvolvimento social com estabilidade econômica em um quadro de pluralismo democrático, mesmo diante de uma crise global internacional. Desagradou ao mercado financeiro, sim. Mas o resultado de seu trabalho não era destinado ao mercado financeiro, para grande decepção dos empresários da comunicação e seus fieis soldados de pena nas mãos.

Ele não foi aliado do patrão, mas do trabalhador. Como lembrou Jânio de Freitas (uma das poucas vozes dissonantes da imprensa-representante-do-mercado-financeiro), em artigo na Folha de S.Paulo em dezembro de 2014, “Uma equipe econômica aliada e alinhada prioritariamente com os interesses do capital desfruta de habeas corpus. Mailson da Nóbrega levou a inflação a 84%. Ao mês. Sem ser criticado, só saiu porque o governo Sarney acabou. Todos os números do governo Fernando Henrique são piores do que os atuais, mas Pedro Malan, como Mailson, como Marcílio Marques Moreira e tantos outros, saiu do governo para o abrigo gratificante de grandes empresários.”

Com Mantega, o Brasil alcançou, em termos médios, o maior nível de investimento externo de todos os períodos da democracia atual combinados (Itamar, FHC, Sarney, Lula): US$ 65 bilhões anuais.

Ainda como bem lembrou Jânio de Freitas, “quando leio um título negativo como ‘Sete milhões passam fome no país’, prefiro saber que, por baixo dele, diz-se que em dez anos caiu de 6,9% para 3,2% o número de famílias com ‘insegurança alimentar grave.” Ou seja, metade das pessoas já não passam fome e é preciso continuar o caminho trilhado, para que ninguém mais passe por isso.

Mantega fez muito, fez para a maioria. Eu concordo. Gosto. Aprovo. No entanto, entendo que haja pessoas que não concordem, que representem outro setor da sociedade, que preferiam manter o estado anterior de desigualdade social, onde poucos (eles) se beneficiavam e pronto.

A categoria dos jornalistas, por exemplo, parece tomada por esse tipo de gente. Mas, daí a incitar o ódio contra um ser humano… E foi isso que fizeram insistentemente. Foi nisso que transformaram seu dia a dia os jornalistas de economia do Brasil. Incansáveis, fizeram a população acreditar que Mantega deveria ser escorraçado do governo e violentado em praça pública.

Incitados pela mídia raivosa, foi isso que populares fizeram com Mantega ontem (24/2/15), quando ele acompanhava uma parente para tratamento de doença grave em um hospital em São Paulo. O mais triste para mim, é que desde o começo, o tempo todo, como alertou Dilma em 13 de outubro, os jornalistas sabiam. Mas se aproveitaram de uma circunstância pessoal para colocar em prática um projeto sujo e ardiloso de desmonte de uma figura pública.

Me pergunto apenas se essas pessoas vão conseguir dormir à noite tranquilamente, depois de terem visto as cenas do Mantega no hospital. Me pergunto especialmente como estão hoje aqueles jornalistas que ouviram da Dilma: “Me poupem. Porque eu acho que é uma questão de respeito”, numa tentativa vã de não permitir que usassem as circunstâncias para a inquisição daquele que elegeram como erege.

Eu sequer tive estômago para ver as cenas. Eu estou, de verdade, tomada por uma raiva imensa desses profissionais. Estou vivendo um misto de sentimentos, que vai desde o ódio pela minha fraqueza por não ter conseguido continuar nessa profissão, justamente, por não ter sido capaz de conviver cotidianamente com esse tipo de gente, até a satisfação pela solidariedade que tenho visto nas redes sociais de alguns grupos sensíveis que demonstram seu apoio em um momento tão horrível, mesmo o Mantega não sendo mais ministro, “não sendo mais nada”, apenas um ser humano que acompanha sua esposa no tratamento contra um câncer.

A fala da presidenta aos jornalistas está na entrevista abaixo, no minuto 23’14”. Aliás, na mesma entrevista, Dilma fala: “É óbvio que eu acho que vocês [jornalistas] não reconhecem muito, mas que vocês erram, vocês erram, como qualquer ser humano”.

Esta espécie vil na qual a humanidade tem se transformado, eu não aguento.

Obs.: A entrevista completa tem 35’41” e vale ser ouvida na íntegra. Foi um daqueles dias que Dilma estava inspirada e resolveu tratar os jornalistas com a franqueza que deveria usar todos os dias.

Adendo:

Horas depois da publicação deste post, o ex-ministro Mantega divulgou uma nota de esclarecimento. Um gentleman, como sempre, foi tranquilo no esclarecimento sobre como se deram os fatos e não revidou na mesma moeda de barbárie, como esperavam alguns ansiosamente, para poder, mais uma vez, acusá-lo. Ele afirma também que foi ao hospital visitar um amigo. A informação de que ele havia ido acompanhar a esposa foi uma dedução óbvia, uma vez que é sabido que ela vem realizando tratamento contra um câncer. Assim como também é sabido que Mantega tem procurado ser discreto com relação ao assunto. Respeitemos. Porém, independente do que ele tenha ido fazer no hospital, não há nada a mudar na análise que fiz anteriormente sobre o comportamento dos jornalistas e as consequências disso. Veja aqui a íntegra da nota.

Cuba musical

Ir a Cuba é fazer uma viagem pela história e pela música. A ilha é extremamente musical. Sons que mexem com a gente, que balançam o corpo, que empolgam os corações mais durões. Nos hoteis, bares e restaurantes mais turísticos sempre é possível apreciar o som de algum grupo musical do ICRT – Instituto Cubano de Rádio e Televisão, como eu contei no texto Estamos adorando Cuba.

x20150111_223945Desta vez tivemos a oportunidade de ir a um show daquele que é o símbolo musical cubano: o grupo Buena Vista Social Club. O Club Social Buena Vista era uma agremiação da cidade de Havana, frequentada por negros, fundada em 1932 e muito famosa nas primeiras décadas do século XX, como conta o colaborador da Prensa Latina, Rafael Lam, no artigo A verdadeira história de Buena Vista Social Club.

O show que assistimos foi na Sociedade Cultural Rosalía de Castro, no centro de Havana. Um amplo restaurante em um casarão antigo. Por CUC 50 (equivalente a US$ 50) você toma três drinques, tem jantar completo e se acaba a ouvir música boa e interagir com os músicos do Buena Vista. Imperdível!

A principal estrela da noite era Joana Bacalao. O que vimos, foi mais ou menos igual ao que se pode ver nesse vídeo abaixo, gravado há quase um ano atrás e publicado no YouTube. O local é exatamente o mesmo.

EC e Juana BacallaoE, claro, não íamos deixar de fazer nossas fotos da grande diva cubana, às portas dos 90 anos de idade. Sua brilhante carreira garantiu a ela a Distinção pela cultura nacional, com a medalha Alejo Carpentier, e um disco de ouro no Canadá.

Quem não tem oportunidade de ir até lá para ver, pode tentar encontrar o filme que leva o nome do grupo musical, Buena Vista Social Club, dirigido por Win Winders, que mistura música e história, de uma forma muito leve, como a boa música cubana. Não é sem motivo que o filme foi vencedor de 10 prêmios internacionais. #FicaaDica

DVD Buena Vista Social Club

Cuba, de novo

Pela segunda vez fomos à Cuba de férias. Como já disse no texto Tentando entender Cuba, em geral, não gosto de repetir destinos, porque o mundo é muito grande e falta muito para ver ainda. Mas Cuba tinha deixado um gostinho intenso de quero mais. E agora não vou resistir a contar mais um pouco do que aconteceu, até porque, desta vez fomos a novos destinos, conhecemos outras partes do país. Merece o registro.x aeroporto José Martí

Apesar da reaproximação diplomática com os Estados Unidos anunciada em dezembro de 2014, ainda não houve mudanças significativas no país. Aliás, pasmem: para os cubanos, o anúncio do restabelecimento de relações com os Estados Unidos não foi a notícia mais importante daquele dia 17 de dezembro. E então, você fica com cara de parvo: Ah, não? Mas foi isso que a mídia destacou! A mídia brasileira não sabe de nada. Copia o que a CNN dá.

Se tivesse ouvido o discurso do Raúl Castro além do do Barack Obama, se tivesse um correspondente em Havana, em vez de só em Washington ou Nova Iorque, teria notado que importante mesmo naquele dia, foi o anúncio de que o acordo previa a libertação de três cubanos apontados pelo governo estadunidense como espiões e presos por lá: Gerardo Hernández, Antonio Guerrero e Ramón Labañino. “La alegría de sus familiares y de todo nuestro pueblo que se movilizó con ese objetivo se extienden a los cientos de Gobiernos solidarios, parlamentos, organizaciones e instituciones que durante estos 16 años reclamaron e hicieron esfuerzos para su liberación”, afirmou Raúl Castro em cadeia de rádio e televisão no dia, de acordo com matéria da Telesur. Nas ruas, um mês depois, a libertação dos cubanos ainda era comemorada.

054 BandeiraE o embargo? Sim, o embargo é um mal que os Estados Unidos fizeram à Cuba e que gerou uma dívida histórica a ser paga. Mas eles estão há mais de 50 anos lá, suportando isso. Os fracos saíram logo na altura da revolução. Quem ficou se mostrou forte por ter sobrevivido a tão cruel política internacional e agora essa mudança pode vir, como não.

Aliás, é triste como quem está de fora tem dificuldade em perceber o que significou o embargo. Outro dia ouvi uma pessoa explicando à outra que em Cuba não se tem acesso a todos os bens de consumo que existem em outros lugares, porque lá é socialista. Errado! Cuba não tem acesso, porque em 1962, vendo o sucesso da nova administração socialista em Cuba, os Estados Unidos iniciaram um processo de isolamento do país, por meio do embargo (ou bloqueo, como dizem os espanhois) para sufocar o regime. O governo americano anunciou ao mundo: Quem -empresas, bancos, governos – fizesse negócios com Cuba, não faria negócios com os Estados Unidos. Como eles naquela altura já eram os maiores consumidores do mundo, as empresas, bancos e governos não socialistas, deixaram de comercializar com Cuba.

Acabou por ser uma boa maneira de nunca sabermos se o regime socialista daria certo ou não. Afinal, eles vivem uma realidade falsa. Será que, Cuba podendo comercializar com outros países não permitiria que seus moradores tivessem melhores condições de vida? Afinal, o país não consegue adquirir bens – ou você acha que os carros muito antigos que circulam por lá são opção pela sustentabilidade? – e isso prejudica até mesmo o desenvolvimento da indústria, além de dificultar o trabalho na área de saúde. Cuba tem, reconhecidamente, um ótimo sistema de saúde pública e forma profissionais da área com excelência, mas tem que fazer um grande esforço para aparelhar hospitais e centros de saúde, pois “é comum ter o dinheiro para comprar os equipamentos de que precisa e não encontrar vendedores disponíveis”, como explica artigo do Diário do Centro do Mundo. Por outro lado, será que tendo acesso aos bens de consumo, o regime socialista teria sobrevivido tanto tempo? Talvez o embargo tenha sido um tiro no pé, dando um ganho na vida útil de um regime que, contaminado pelo contato com os países capitalistas, talvez não vingasse. Nunca saberemos.

Os números de 2014

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 do Quem aguenta? E, assim como eu já faço tradicionalmente no Mosanblog, estou divulgando o daqui também.

O resumo afirma:

A sala de concertos em Sydney, Opera House tem lugar para 2.700 pessoas. Este blog foi visto por cerca de 12.000 vezes em Se fosse um show na Opera House, levaria cerca de 4 shows lotados para que muitas pessoas pudessem vê-lo.

As pessoas vieram principalmente para ler Curiosidades para ficar bem em Cuba, Casa grande e senzala na sala da podóloga, Enfim, 40! – já são 42 agora -, Um ano e Depressão não é tristeza. Vale destacar a participação dos comentaristas. Assim como no Mosanblog, os leitores que comentam são responsáveis por manter o blog ativo, mesmo quando a autora aqui está meio afastada… E, também assim como no Mosanblog, a Lucia Agapito é minha grande parceira nesse quesito. A comentarista mais atuante nos dois!

Clique aqui para ver o relatório completo

Superstição

superstição

Eu acredito mesmo é na ciência. Mas, se eu tivesse que acreditar em alguma coisa mais, acreditaria logo em deus. Superstição dá muito trabalho. Tem que dar pulinhos, comprar roupa branca, amarela, vermelha nova, guardar porcarias na carteira… Aliás, como disse o filósofo Denis Diderot, a superstição ofende mais a deus do que o ateísmo.

Fico impressionada com pessoas que acreditam (ou dizem que acreditam) em deus, mas parecem não colocar lá muito a mão no fogo por ele. Afinal, sempre que podem, tentam dar uma ajudinha… Dia 31 de dezembro é o dia de colocar à prova essa fé. Acredita em deus, mas dá uns pulinhos nas ondas do mar na hora da virada do ano, só pra garantir. Deus tá vendo…

Como bem explica o dicionário Priberam, superstição é um “sentimento de veneração religiosa fundada no temor ou ignorância e que conduz geralmente ao cumprimento de falsos deveres, a quimeras, ou a uma confiança em coisas ineficazes”.

Se o camarada acredita em deus, que ele tudo rege e tudo domina, não precisa ficar com manobras para driblar o destino. Afinal, tudo acontece por causa do deus, não é? Nem tanto, parece. Chega o fim do ano, o cara dá três pulinhos com o pé direito à meia noite, enche a carteira de folhas secas, come romã, gospe uva e faz até onda na banheira de casa para não deixar de pular as sete ondinhas…

Ou seja, ou a pessoa não acredita de fato em deus, ou não entendeu nada sobre ser fiel. É a velha falta de coerência da humanidade.

Gente que se diz crente em deus e pratica suas superstiçõezinhas de fim de ano, eu não aguento.

A verdade tem muitos ângulos

Eu sou Malala

Se tem uma coisa que eu não aguento é gente que, em tempos de internet e possibilidades de vários caminhos para se obter informação, se conforta com as informações que chegam até elas e acham que sabem das coisas buscando o caminho mais fácil e sendo passivas no conhecimento que adquirem.

Faço tudo para não cair nessa preguiça, de me achar informada só porque liguei a TV e o canal que estava lá por hábito me disse isso ou aquilo. Já falei aqui que o conceito de notícia para quem a produz e para quem a recebe, em geral, é diferente. Quem recebe tem a expectativa de ter um resumo do que se dá no mundo, quem emite, em geral, fala do que é inédito, diferente, não do que é um resumo do mundo. Também já falei que o jornalismo que presta serviços, induz à cidadania e contribui para a conscientização das pessoas já não existe mais, infelizmente. 

Para não me deixar levar pelos interesses defendidos pela dita grande mídia (sim, os jornais, TVs e rádios defendem interesses, um projeto de sociedade, mas isso é assunto para outro texto…), eu procuro sempre a informação por novos ângulos, não me contento em ver apenas o que chega fácil para mim. A midiona ocidental tem uma voz hegemônica, mostra sempre o mundo pelo mesmo ponto de vista, mas, que outras formas de ver as coisas estarão ocultas nessa apresentação parcial?

Depois de ler o livro Eu sou Malala, por exemplo, passei a entender de forma bem distinta os ataques que têm havido no Paquistão e a convivência com o Talibã imposta àquele povo. Hoje, os jornais falam que o governo do Paquistão atua com o apoio dos Estados Unidos para libertar o país da opressão do grupo Talibã, que defende o fundamentalismo islâmico.

Ó, como são bons os americanos!, pensarão os mal informados. Mas quem não se conforma com a visão ocidental de tudo que acontece na região do Paquistão há décadas, quem não se contenta com noticiário de CNN, Folha, Globo… sabe que não é bem assim. Se os Estados Unidos atuassem por cem anos pela paz – e não fazem isso nem por um dia, na verdade –, ainda assim, não se redimiriam pela culpa histórica por tudo que está acontecendo hoje no Paquistão.

Nós nos acostumamos a ouvir a história Talibã-Paquistão por quem chegou lá depois do Talibã e com valores baseados na cultura ocidental cristã. Ouvir a história sob a ótica de uma nativa, criança ainda quando os Estados Unidos sofreram o ataque de 11 de setembro de 2001 e adolescente quando foi alvejada com uma bala no crânio por defender o direito de meninas a estudar em seu país, faz toda a diferença, mostra um novo Paquistão, o paraíso que aquilo já foi um dia, apresenta uma nova relação com o Talibã e uma outra participação dos Estados Unidos em toda a história.

Quer saber mais? Leia a história da menina Malala, porque ouvir a história por um só ângulo, em pleno século XXI, não dá para aguentar.


placa Cabo da Boa Esperança

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